{"id":496,"date":"2019-03-14T13:44:45","date_gmt":"2019-03-14T16:44:45","guid":{"rendered":"http:\/\/servicentermedic1.hospedagemdesites.ws\/blog\/?p=496"},"modified":"2019-03-14T13:44:45","modified_gmt":"2019-03-14T16:44:45","slug":"brasileiros-sao-campeoes-em-pesquisas-no-dr-google","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/servicenterblog.institucional.ws\/?p=496","title":{"rendered":"Brasileiros s\u00e3o campe\u00f5es em pesquisas no Dr. Google"},"content":{"rendered":"<p>Em seu consult\u00f3rio, as queixas mais comuns dos pacientes s\u00e3o dor de garganta, resfriado, alergia e tosse, mas vem crescendo o n\u00famero de pessoas que buscam respostas para quadros de ansiedade e depress\u00e3o. Alguns doentes dizem ter recebido o diagn\u00f3stico correto gra\u00e7as \u00e0s informa\u00e7\u00f5es passadas por ele.<\/p>\n<p>Outros reclamam de que suas hip\u00f3teses s\u00e3o alarmistas e levam a p\u00e2nico desnecess\u00e1rio frente a qualquer sintoma. Dr. Google, como vem sendo chamado, n\u00e3o \u00e9 formado em Medicina nem sequer humano, mas 26% dos brasileiros recorrem primeiramente a ele ao se deparar com um problema de sa\u00fade.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es s\u00e3o de uma pesquisa do Google sobre como os brasileiros pesquisam e consomem conte\u00fado de sa\u00fade na plataforma de busca e no YouTube, site pertencente ao mesmo grupo. O levantamento, obtido com exclusividade pelo Estado, revela que o Brasil \u00e9 o pa\u00eds em que as buscas referentes \u00e0 sa\u00fade mais cresceram no mundo no \u00faltimo ano. A alta tamb\u00e9m foi maior do que a m\u00e9dia de buscas em outras categorias dentro do Brasil. Enquanto as pesquisas de sa\u00fade cresceram 17,3%, as de cuidados com cabelos aumentou apenas 3% e as de maquiagem ca\u00edram 4%.<\/p>\n<p>O \u00edndice de brasileiros que buscam o Google como primeira fonte de informa\u00e7\u00e3o em casos de problemas de sa\u00fade j\u00e1 chega pr\u00f3ximo ao dos que buscam imediatamente um m\u00e9dico. S\u00e3o 26% que t\u00eam o mecanismo de busca como primeira op\u00e7\u00e3o, ante 35% que recorrem a um m\u00e9dico. \u201cMais de 70% da popula\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o tem plano de sa\u00fade, a maioria n\u00e3o tem acesso a dentista, mas essa popula\u00e7\u00e3o \u00e9 sedenta por informa\u00e7\u00e3o. A internet acaba sendo um dos \u00fanicos recursos para as classes C, D e E\u201d, afirma Fabiana Kawahara, gerente de Insights e Analytics do Google Brasil. De fato, enquanto apenas 25% dos brasileiros t\u00eam plano de sa\u00fade, cerca de 70% est\u00e3o conectados \u00e0 internet.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio, ao mesmo tempo que ajuda a democratizar a informa\u00e7\u00e3o e dar autonomia ao paciente, traz tamb\u00e9m riscos e preju\u00edzos. O aumento nas buscas de sa\u00fade leva alguns brasileiros a adotarem pr\u00e1ticas ou tratamentos sem evid\u00eancia cient\u00edfica. Outro problema \u00e9 o surgimento dos cibercondr\u00edacos, condi\u00e7\u00e3o em que a pessoa, com base em informa\u00e7\u00f5es da internet, fica obsessiva ou angustiada com a ideia de ter uma doen\u00e7a grave.<\/p>\n<p>A terapeuta Andr\u00e9a Lopes, de 45 anos, conhece bem o lado bom e o ruim da utiliza\u00e7\u00e3o dessa ferramenta. Por um lado, conseguiu gra\u00e7as \u00e0s pesquisas antecipar um diagn\u00f3stico de doen\u00e7a cel\u00edaca. Por outro, se assusta com as possibilidades de evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a ao ler sobre ela nos sites indicados. \u201cQuando passei mal e fui ao pronto-socorro, ningu\u00e9m me deu um diagn\u00f3stico e, como dependo do SUS, tive de esperar alguns meses at\u00e9 a consulta com o especialista. Pesquisando em Google e Facebook, comecei a ver os sintomas e me identificar\u201d, conta ela, que teve a doen\u00e7a detectada oficialmente por um m\u00e9dico cerca de um ano depois dos primeiros sintomas. \u201cCom a ajuda da internet, de certa forma antecipei meu tratamento e a preven\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Agora, por\u00e9m, ela enfrenta o lado angustiante de ter informa\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e3o. \u201cPessoas com doen\u00e7a cel\u00edaca tem risco maior de ter outras doen\u00e7as, como esclerose m\u00faltipla, ent\u00e3o eu tento n\u00e3o ficar procurando muito sobre isso para n\u00e3o me desesperar.\u201d<\/p>\n<p>Sites<\/p>\n<p>Para especialistas m\u00e9dicos e do Google, a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado de sa\u00fade de qualidade para a internet \u00e9 a melhor forma de combater informa\u00e7\u00f5es erradas ou imprecisas. Foi pensando nisso que o ortopedista Rodrigo Calil, de 40 anos, e outros dois colegas que cursaram Medicina na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), resolveram criar um canal no YouTube. Inaugurado em 2016, o Doutor Ajuda! j\u00e1 tem mais de 350 mil inscritos. \u201cA ideia veio com a observa\u00e7\u00e3o da quantidade de pacientes que chegavam ao consult\u00f3rio com informa\u00e7\u00f5es de sites sensacionalistas, completamente equivocadas, enquanto o mais b\u00e1sico, sobre sintomas cotidianos, eles n\u00e3o sabiam\u201d, afirma Calil. \u201cMas apesar disso, sempre deixamos claro que nenhuma informa\u00e7\u00e3o substitui uma consulta m\u00e9dica.\u201d<\/p>\n<p>A linguagem acess\u00edvel de alguns conte\u00fados online e a abund\u00e2ncia de informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o fatores que levam pacientes a buscarem mais o Google do que o consult\u00f3rio. \u201cJ\u00e1 fui em m\u00e9dico que s\u00f3 passa rem\u00e9dio e n\u00e3o explica nada. Da\u00ed recorremos ao Google para ter mais informa\u00e7\u00e3o\u201d, diz o bi\u00f3logo Ricardo Montera, de 32 anos, que sofre de tendinite no joelho e, embora trate com especialista, usa a web para buscar exerc\u00edcios f\u00edsicos e m\u00e9todos analg\u00e9sicos. Ele diz que, para garantir a exatid\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, procura consultar artigos cient\u00edficos em bases como Scielo.<\/p>\n<p>Corregedor do Conselho Federal de Medicina (CFM), Jos\u00e9 Fernando Vinagre afirma que, da parte do internauta, \u00e9 importante checar se a fonte \u00e9 confi\u00e1vel. Mas cabe ao m\u00e9dico, diz ele, estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a com o paciente. \u201cPara os m\u00e9dicos que produzem conte\u00fado para a internet, h\u00e1 normas a serem seguidas, como publicar seu nome completo e o n\u00famero do CRM (Conselho Regional de Medicina).\u201d<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m preocupado com a qualifica\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es em sa\u00fade, o Google Brasil aposta em parcerias. Em 2016, se aliou ao Hospital Albert Einstein para produzir fichas com informa\u00e7\u00f5es sobre causas, sintomas e tratamento de v\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade \u2013 j\u00e1 s\u00e3o mil verbetes. \u201cTamb\u00e9m temos parceria com a Fiocruz e deveremos ampliar as parcerias em 2019\u201d, diz Luciana Cordeiro, gerente de Parcerias de Produto do Google Brasil.<\/p>\n<p>\u2018Crise p\u00f3s-busca\u2019<\/p>\n<p>Acostumada a consultar todo tipo de informa\u00e7\u00e3o na internet, a atendente de loja Karina Leite, de 22 anos, j\u00e1 teve de ser levada \u00e0s pressas a um pronto-socorro com crise de ansiedade, ap\u00f3s consultar as supostas consequ\u00eancias de uma doen\u00e7a. A jovem conta que, aos 13 anos, foi diagnosticada com s\u00edndrome do ov\u00e1rio polic\u00edstico. Na \u00e9poca, como era muito nova, a m\u00e9dica optou por n\u00e3o prescrever medicamentos e Karina n\u00e3o iniciou nenhum tratamento.<\/p>\n<p>Aos 21 anos, com acesso mais f\u00e1cil \u00e0 internet, Karina decidiu pesquisar o que significava aquela condi\u00e7\u00e3o. \u201cProcurei no Google e achei sites falando que a doen\u00e7a n\u00e3o tinha cura e deixava a mulher inf\u00e9rtil. Quando pensei que nunca poderia ter um filho, comecei a chorar muito e comecei a ter uma crise de ansiedade\u201d, conta ela. \u201cEu tremia toda, me deu c\u00e3ibra no corpo inteiro e sentia muita dor nas pernas\u201d, diz ela.<\/p>\n<p>A atendente foi levada pela m\u00e3e ao hospital, onde recebeu um medicamento calmante e apagou. Saiu de l\u00e1 na manh\u00e3 seguinte, assustada com o efeito de uma \u201csimples busca na internet\u201d. Meses depois, conseguiu uma consulta com uma especialista e foi informada que a s\u00edndrome tinha tratamento.<\/p>\n<p>Embora esse tenha sido o epis\u00f3dio mais grave, Karina j\u00e1 passou por outras ang\u00fastias ao verificar sintomas na internet. \u201cJ\u00e1 pesquisei sobre dor de cabe\u00e7a e falava que era tumor. Fiquei preocupada. Na \u00e9poca que tive a crise, acho que eu era meio cibercondr\u00edaca, sim, mas hoje tento n\u00e3o confiar em tudo que aparece na internet\u201d, diz.<\/p>\n<p>Para o psiquiatra Rodrigo Leite, coordenador dos ambulat\u00f3rios do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl\u00ednicas, a cibercondria \u00e9 uma \u201cnova roupagem\u201d para transtornos j\u00e1 existentes, em que h\u00e1 excessiva preocupa\u00e7\u00e3o com o corpo ou com o poss\u00edvel aparecimento de doen\u00e7as. \u201cEsse comportamento pode vir acompanhado de depend\u00eancia de internet.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com o m\u00e9dico, esse apelo a buscar respostas para quest\u00f5es de sa\u00fade na internet est\u00e1 relacionado, em alguns casos, \u00e0 falta de confian\u00e7a em profissionais de sa\u00fade. \u201cA experi\u00eancia do adoecimento traz muita inseguran\u00e7a e nem sempre o paciente tem garantia que ser\u00e1 bem acolhido, por isso ele apela para a internet, para tentar se proteger, se informar, suprir um vazio\u201d, diz Leite.<\/p>\n<p>Ele ressalta que o uso exagerado da ferramenta \u00e9 exce\u00e7\u00e3o e muitas pessoas t\u00eam benef\u00edcios ao ter mais acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. \u201cAo se informar, o paciente sai do papel de coadjuvante e assume, junto com o m\u00e9dico, a responsabilidade pelas decis\u00f5es referentes \u00e0 sua sa\u00fade.\u201d<\/p>\n<p>Dicas para usar o Dr. Google devidamente:<\/p>\n<p>01) Cheque a fonte:\u00a0Busque sites confi\u00e1veis, com base em evid\u00eancias cient\u00edficas.<\/p>\n<p>02) Fuja de promessas:\u00a0N\u00e3o acredite em sites que promovam curas milagrosas ou terapias experimentais.<\/p>\n<p>03) Pesquise sobre o autor:\u00a0No caso de sites produzidos por m\u00e9dicos, verifique se ele informa o n\u00famero do CRM e busque mais informa\u00e7\u00f5es sobre o profissional no site do conselho regional onde est\u00e1 inscrito.&#8221;<\/p>\n<p>Fonte: Gazeta do Povo &#8211; Viver Bem Sa\u00fade e Bem-estar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em seu consult\u00f3rio, as queixas mais comuns dos pacientes s\u00e3o dor de garganta, resfriado, alergia e tosse, mas vem crescendo o n\u00famero de pessoas que buscam respostas para quadros de ansiedade e depress\u00e3o. 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