{"id":284,"date":"2018-07-03T10:59:33","date_gmt":"2018-07-03T13:59:33","guid":{"rendered":"http:\/\/servicentermedic1.hospedagemdesites.ws\/blog\/?p=284"},"modified":"2018-07-03T10:59:33","modified_gmt":"2018-07-03T13:59:33","slug":"oito-novos-tratamentos-contra-o-cancer-explicados-por-tres-oncologistas-o-segredo-e-reduzir-e-personalizar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/servicenterblog.institucional.ws\/?p=284","title":{"rendered":"Oito novos tratamentos contra o c\u00e2ncer explicados por tr\u00eas oncologistas. O segredo \u00e9 reduzir e personalizar"},"content":{"rendered":"<p><em>Durante os encontros m\u00e9dicos h\u00e1 sempre not\u00edcias sobre avan\u00e7os promissores. O que podemos ver aplicado num futuro pr\u00f3ximo no tratamento do c\u00e2ncer? Perguntamos aos oncologistas que estiveram presentes<\/p>\n<p><\/em>Idioma: Portugu\u00eas de Portugal<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o conseguimos vencer a guerra contra o cancro, mas estamos a conseguir vencer algumas batalhas\u201d, diz o oncologista Paulo Cortes. E essas batalhas vencem-se quando se\u00a0<strong>reduz o tempo de tratamento com as mesmas vantagens, mas com menos efeitos secund\u00e1rios, quando se desenvolvem novos tratamentos ou quando se aposta numa medicina personalizada<\/strong>\u00a0(em que o tratamento \u00e9 espec\u00edfico do doente). E todos os anos \u2014 para n\u00e3o dizer todos os meses \u2014 h\u00e1 novidades sobre novas armas e estrat\u00e9gias para usar nestas batalhas.<\/p>\n<p>\u201cA ci\u00eancia est\u00e1 a evoluir no sentido da personaliza\u00e7\u00e3o dos tratamentos\u201d, diz\u00a0Gabriela Sousa, m\u00e9dica do Servi\u00e7o de Oncologia M\u00e9dica do Instituto Portugu\u00eas de Oncologia de Coimbra. Porque\u00a0<strong>n\u00e3o existe \u2014 e provavelmente nunca existir\u00e1 \u2014 uma cura universal para o cancro<\/strong>.\u00a0N\u00e3o s\u00f3 o cancro do pulm\u00e3o \u00e9 diferente do cancro da mama e diferente do melanoma, como cada cancro do pulm\u00e3o \u00e9 diferente de pessoa para pessoa.\u00a0\u201cS\u00e3o doen\u00e7as diferentes, em pessoas diferentes, com imunidades diferentes\u201d, diz ao Observador Paulo Cortes, presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia.<\/p>\n<div class=\"block_quote azul\">\n<div class=\"wrapper\">\n<div class=\"quote\">\u201cComo \u00e9 que tumores biologicamente iguais se comportam de maneiras diferentes em cada\u00a0pessoa?\u201d<\/div>\n<div class=\"author\">Gabriela Sousa, m\u00e9dica do Servi\u00e7o de Oncologia M\u00e9dica do Instituto Portugu\u00eas de Oncologia de Coimbra<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Os congressos m\u00e9dicos da especialidade s\u00e3o um bom local de partilha de todos estas descobertas, dos resultados dos ensaios cl\u00ednicos, da confirma\u00e7\u00e3o daquilo que j\u00e1 se sabia ou da apresenta\u00e7\u00e3o de resultados completamente inesperados. Mas estes congressos falam numa linguagem pr\u00f3pria: a linguagem dos m\u00e9dicos e investigadores. O que \u00e9 que isto significa para os doentes e para as fam\u00edlias?<\/p>\n<p>O Observador falou com tr\u00eas oncologistas portugueses que estiveram na reuni\u00e3o anual da Associa\u00e7\u00e3o Americana de Oncologia Cl\u00ednica \u2014 2018 ASCO Annual Meeting \u2014, que reuniu mais de 30 mil participantes, para perceber o que de mais importante se discutiu nesta reuni\u00e3o e que impacto pode ter na pr\u00e1tica cl\u00ednica.<\/p>\n<div id=\"attachment_2677853\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2677853 size-full\" src=\"https:\/\/s3cdn-observadorontime.netdna-ssl.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/15152809\/incidencia-e-mortalidade-por-cancro-2012_oms.jpg\" alt=\"\" width=\"528\" height=\"511\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Estimativa da incid\u00eancia de cancro e mortalidade causada pela doen\u00e7a. O cancro da mama e da pr\u00f3stata t\u00eam incid\u00eancias altas, mas t\u00eam taxas de cura na ordem dos 70%. Apenas 40% dos cancros s\u00e3o preven\u00edveis, mas deixar de fumar \u00e9 a principal causa de cancro que se pode prevenir \u2014 WHO<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"heading_container\">\n<div class=\"heading-wrapper\">\n<div>\n<h1>Como evitar a quimioterapia nas doentes com cancro da mama?<\/h1>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Ouvirmos dizer que a\u00a0<strong>quimioterapia pode ser evitada em 70% das mulheres com cancro da mama<\/strong>\u00a0s\u00e3o boas not\u00edcias, mas devem ser explicadas, porque n\u00e3o se referem a todos os tipos de cancro, nem as medidas v\u00e3o ser aplicadas em toda a parte. \u00c9 verdade que o estudo que chegou a estas conclus\u00f5es foi feito com o tipo de cancro da mama mais frequente, ainda assim refere-se apenas a um tipo de cancro da mama: precoce, hormono-dependente, sem n\u00f3dulos axilares e HER2-negativo.<\/p>\n<p>A grande vantagem deste trabalho em rela\u00e7\u00e3o a estudos anteriores, explica Paulo Cortes, \u00e9 que este se trata de um estudo prospetivo, e n\u00e3o retrospetivo, ou seja, um estudo controlado que acompanha os doentes ao longo do tempo, e n\u00e3o um estudo baseado em dados do passado. \u201cA aplicabilidade pr\u00e1tica \u00e9 imediata\u201d, garante o m\u00e9dico.<\/p>\n<p><iframe class=\"wp-embedded-content\" title=\"\u201cMaioria das mulheres com cancro da mama poder\u00e1 evitar quimioterapia\u201d \u2014 Observador\" src=\"https:\/\/observador.pt\/2018\/06\/03\/maioria-das-mulheres-com-cancro-da-mama-podera-evitar-quimioterapia\/embed\/#?secret=Tz4iks4tqw\" width=\"600\" height=\"272\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" sandbox=\"allow-scripts\" data-secret=\"Tz4iks4tqw\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<article class=\"longform_wrapper\">\n<div class=\"longform_content  heading_numbers clearfix\">\n<p>Os resultados foram baseados num teste gen\u00f3mico ao cancro da mama \u2014 Oncotype DX \u2014 que identificou 21 genes e vai beneficiar sobretudo quem tem acesso a este tipo de testes. \u201cNos Estados Unidos este tipo de teste gen\u00f3mico \u00e9 pedido a todas as mulheres com cancro da mama hormono-dependente\u201d, disse F\u00e1tima Cardoso, diretora da Unidade da Mama do Centro de Cancro Champalimaud. \u201cMas na Europa s\u00f3 se pede um teste gen\u00f3mico quando h\u00e1 d\u00favidas se a pessoa precisa de fazer quimioterapia.\u201d A investigadora explica porqu\u00ea:\u00a0<strong>nos Estados Unidos, as seguradoras comparticipam estes testes, mas na Europa n\u00e3o<\/strong>. Cada teste gen\u00f3mico Oncotype DX custa\u00a0<strong>3.600 euros<\/strong>\u00a0por doente, lembra Gabriela Sousa.<\/p>\n<p>\u201cEm Portugal, e em muitos pa\u00edses da Europa, os testes n\u00e3o s\u00e3o reembolsados nem pelas seguradoras, nem pela maioria dos sistemas de sa\u00fade.\u201d Mas deviam, na opini\u00e3o da m\u00e9dica.\u00a0<strong>A esperan\u00e7a \u00e9 que estes resultados sirvam de press\u00e3o para que passe a haver comparticipa\u00e7\u00e3o.<\/strong>\u00a0Paulo Cortes refor\u00e7a que agora \u201ctemos dados de evid\u00eancia cient\u00edfica de qualidade\u201d, que se traduzem em \u201cpoupan\u00e7as de recursos\u201d.<\/p>\n<div class=\"block_quote azul\">\n<div class=\"wrapper\">\n<div class=\"quote\">\u201cNa Europa s\u00f3 se pede um teste gen\u00e9tico quando h\u00e1 d\u00favidas se a pessoa precisa de fazer quimioterapia.\u201d<\/div>\n<div class=\"author\">F\u00e1tima Cardoso, diretora da Unidade da Mama do Centro de Cancro Champalimaud<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Para F\u00e1tima Cardoso, os resultados s\u00e3o particularmente importantes para quem usa Oncotype DX e n\u00e3o sabe o que fazer com os casos de risco m\u00e9dio de recidiva (o risco de o cancro voltar a aparecer). Mas na Europa \u201cn\u00e3o vai mudar o que se faz na pr\u00e1tica\u201d, afirma a m\u00e9dica, respons\u00e1vel pelas recomenda\u00e7\u00f5es europeias para o cancro da mama (precoce e avan\u00e7ado).<\/p>\n<p>Para decidir se um doente precisa de fazer quimioterapia para evitar recidivas avaliam-se as caracter\u00edsticas do tumor \u2014 o tipo de tumor, grau de diferencia\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas, resposta a outros tratamentos \u2014 e o doente (como a idade e o estado de sa\u00fade geral). Se o risco \u00e9 baixo, a terapia hormonal pode ser suficiente. Quando o risco \u00e9 alto, a quimioterapia \u00e9 fortemente aconselhada.\u00a0<strong>Quando o risco \u00e9 m\u00e9dio, podem surgir algumas d\u00favidas sobre que tratamento fazer, d\u00favidas essas que os testes gen\u00e9ticos podem ajudar a resolver.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 est\u00e1vamos \u00e0 espera do TailorX [Trial Assigning Individualised Options for Treatment] h\u00e1 muito tempo\u201d, disse F\u00e1tima Cardoso, sobre o estudo agora apresentado. Este trabalho veio refor\u00e7ar os resultados que a equipa da investigadora j\u00e1 tinha\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nejm.org\/doi\/full\/10.1056\/NEJMoa1602253\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicado<\/a>\u00a0em 2016 na revista The New England Journal of Medicine. Na altura, a equipa validou o teste Mammaprint com ensaios cl\u00ednicos e verificou que 46% das mulheres, com cancro da mama em est\u00e1dio inicial, que s\u00e3o classificadas como doentes de alto risco pelos m\u00e9todos tradicionais poderiam evitar fazer quimioterapia.<\/p>\n<p><iframe class=\"wp-embedded-content\" title=\"\u201cTratar o cancro da mama sem quimioterapia\u201d \u2014 Observador\" src=\"https:\/\/observador.pt\/2016\/08\/30\/tratar-o-cancro-da-mama-sem-quimioterapia\/embed\/#?secret=cobTczVcMA\" width=\"600\" height=\"279\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" sandbox=\"allow-scripts\" data-secret=\"cobTczVcMA\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>As vantagens de evitar quimioterapia s\u00e3o claras, para o doente e para a sociedade. Por um lado, o doente evita todos os efeitos secund\u00e1rios da quimioterapia, como cansa\u00e7o, n\u00e1useas, v\u00f3mitos, queda de cabelo e, mais tarde, o risco de problemas card\u00edacos e outros tumores. Por outro, evitam-se os custos indiretos, como as faltas do doente ao trabalho ou os profissionais de sa\u00fade que deixam de estar alocados a esse tratamento.<\/p>\n<div class=\"heading_container\">\n<div class=\"heading-wrapper\">\n<div>\n<h1>Os testes gen\u00e9ticos e gen\u00f3micos podem ajudar a escolher os melhores tratamentos?<\/h1>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"infobox direita\">\n<h4 class=\"title\">Teste gen\u00e9tico vs gen\u00f3mico<\/h4>\n<p>Um\u00a0<strong>teste gen\u00f3mico<\/strong>\u00a0pretende analisar os genes do tumor, enquanto o\u00a0<strong>teste gen\u00e9tico<\/strong>\u00a0se refere \u00e0 an\u00e1lise dos genes da pessoa (doente ou n\u00e3o).<\/p>\n<\/div>\n<p>Paulo Cortes considera que a an\u00e1lise dos genes das c\u00e9lulas tumorais e dos doentes, e a intera\u00e7\u00e3o com o microbioma, \u201ctem tido um grande desenvolvimento e tem-se mostrado muito promissora\u201d. Estas an\u00e1lises identificam altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que podem, potencialmente, ser alvos terap\u00eauticos para os medicamentos. \u00c9 preciso \u00e9 que esses f\u00e1rmacos estejam dispon\u00edveis. E \u00e9 isso que faz F\u00e1tima Cardoso olhar de uma forma mais cautelosa para a possibilidade de estes testes ajudarem a escolher os tratamentos.\u00a0<strong>\u201cAinda n\u00e3o existem medicamentos para todas as altera\u00e7\u00f5es que possam ser identificadas pelos testes gen\u00e9ticos ou gen\u00f3micos.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O presidente da SPO concorda que os testes gen\u00e9ticos n\u00e3o s\u00e3o solu\u00e7\u00e3o para tudo, mas estes testes podem ajudar a selecionar que doentes podem beneficiar da imunoterapia e que tipo de resposta podem ter, por exemplo. \u201c\u00c9 uma revolu\u00e7\u00e3o a come\u00e7ar. Estamos a dar os primeiros passos e precisa de ser integrada com calma, mas \u00e9 irrevers\u00edvel.\u201d<\/p>\n<div class=\"block_image medium esquerda\"><a href=\"https:\/\/s3cdn-observadorontime.netdna-ssl.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/26144036\/istock-172302501_1280x720_acf_cropped.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" class=\"news-photo resrc\" src=\"https:\/\/imageproxy-observadorontime.netdna-ssl.com\/800x,q85\/https:\/\/s3cdn-observadorontime.netdna-ssl.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/26144036\/istock-172302501_1280x720_acf_cropped.jpg\" width=\"1280\" height=\"720\" data-src=\"https:\/\/s3cdn-observadorontime.netdna-ssl.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/26144036\/istock-172302501_1280x720_acf_cropped.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"caption\">\n<p class=\"legenda\">Identificar os genes de uma pessoa tornou-se relativamente f\u00e1cil. Saber o que fazer com os resultados nem tanto \u2014 chemicalbilly\/Getty Images\/iStockphoto<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por enquanto, as recomenda\u00e7\u00f5es europeias e norte-americanas dizem que este tipo de testes n\u00e3o deve ser usado, s\u00f3 nos ensaios cl\u00ednicos. O problema \u00e9 que\u00a0<strong>h\u00e1 muitos testes gen\u00e9ticos dispon\u00edveis sem controlo nem regulamenta\u00e7\u00e3o<\/strong>, alerta a F\u00e1tima Cardoso. E as pessoas chegam \u00e0 consulta com o resultado dos testes \u00e0 espera de uma solu\u00e7\u00e3o. \u201cPrimeiro, \u00e9 preciso perceber, entre todas as altera\u00e7\u00f5es do tumor, quais s\u00e3o realmente importantes, quais as que potenciam a malignidade do tumor. Em seguida \u00e9 necess\u00e1rio desenvolver medicamentos que consigam chegar a esses alvos\u201d, refere a investigadora para refor\u00e7ar o longo percurso que ainda \u00e9 preciso fazer.<\/p>\n<div class=\"heading_container\">\n<div class=\"heading-wrapper\">\n<div>\n<h1>Como melhorar a monitoriza\u00e7\u00e3o dos tratamentos?<\/h1>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Ainda sobre os testes gen\u00e9ticos, Gabriela Sousa n\u00e3o v\u00ea vantagens em generalizar este tipo de testes gen\u00e9ticos. A oncologista prefere falar de outra possibilidade:\u00a0<strong>as bi\u00f3psias l\u00edquidas<\/strong>, que analisam os nossos flu\u00eddos corporais (sangue, urina ou ar expirado) \u00e0 procura de prote\u00ednas tumorais que possam ajudar a detetar a doen\u00e7a antes de esta se manifestar. \u201c<strong>Ainda estamos longe da pr\u00e1tica cl\u00ednica<\/strong>, porque envolve tecnologia muito cara\u201d, diz. Em estudo est\u00e1, por exemplo, a possibilidade de usar bi\u00f3psias l\u00edquidas para monitorizar a evolu\u00e7\u00e3o dos tratamentos.<\/p>\n<p><iframe class=\"wp-embedded-content\" title=\"\u201cTeste sangu\u00edneo capaz de detetar cancro pode vir a ser uma realidade\u201d \u2014 Observador\" src=\"https:\/\/observador.pt\/2018\/06\/01\/teste-sanguineo-capaz-de-detetar-cancro-pode-vir-a-ser-uma-realidade\/embed\/#?secret=114x1aahRa\" width=\"600\" height=\"279\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" sandbox=\"allow-scripts\" data-secret=\"114x1aahRa\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>A especialista em tumores urol\u00f3gicos (rim, pr\u00f3stata, bexiga, test\u00edculos) d\u00e1 como exemplo o\u00a0<strong>carcinoma da pr\u00f3stata resistente \u00e0 castra\u00e7\u00e3o<\/strong>. Existem seis f\u00e1rmacos aprovados para o tratamento destes doentes, mas nem todos os tratamentos s\u00e3o igualmente eficazes com todos os doentes. \u201cA bi\u00f3psia l\u00edquida permite-nos perceber quais \u00e9 que podemos eliminar \u00e0 partida.\u201d<\/p>\n<p>Mas as bi\u00f3psias l\u00edquidas n\u00e3o s\u00e3o a \u00fanica hip\u00f3tese de monitorizar os tratamentos e tamb\u00e9m aqui podem haver melhorias. Durante o encontro, um grupo de investigadores mostrou que um m\u00e9todo de diagn\u00f3stico, que j\u00e1 existe em Portugal (PET PSMA), usado em doentes que foram sujeitos a cirurgia ou quimioterapia, era mais eficaz a detetar met\u00e1stases e conseguia faz\u00ea-lo mais cedo. Isto permite que os doentes iniciem ou mudem de tratamento mais cedo tamb\u00e9m, explica Paulo Cortes.<\/p>\n<div class=\"slideshow\">\n<div class=\"slideshow-main-photo-wrapper\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/s3cdn-observadorontime.netdna-ssl.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/15152925\/incidencia-mulheres-2012_oms.jpg\" width=\"1166\" height=\"693\" data-caption=\"Estimativa da incid\u00eancia de cancro nas mulheres, em 2012. A incid\u00eancia de cancro nas mulheres portuguesas \u00e9 inferior \u00e0 dos homens (ver gr\u00e1fico seguinte).\" data-full-link=\"\" data-link=\"\" data-credits=\"WHO\" \/><\/div>\n<div class=\"photo-meta\">\n<div class=\"left\">\n<p class=\"photo-caption\"><a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/oito-novos-tratamentos-contra-o-cancro-explicados-por-tres-oncologistas-o-segredo-e-reduzir-e-personalizar\/#\">Estimativa da incid\u00eancia de cancro nas mulheres, em 2012. A incid\u00eancia de cancro nas mulheres portuguesas \u00e9 inferior \u00e0 dos homens (ver gr\u00e1fico seguinte).<\/a><\/p>\n<p class=\"photo-credits\">WHO<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"right\"><a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/oito-novos-tratamentos-contra-o-cancro-explicados-por-tres-oncologistas-o-segredo-e-reduzir-e-personalizar\/#\"><span class=\"photo-index\">2 fotos<\/span><\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"heading_container\">\n<div class=\"heading-wrapper\">\n<div>\n<h1>A imunoterapia \u00e9 solu\u00e7\u00e3o para todos os problemas de cancro?<\/h1>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Sobre a imunoterapia, F\u00e1tima Cardoso apressa-se a dizer que \u201cn\u00e3o \u00e9 uma panaceia\u201d e \u201cn\u00e3o vai dar a cura para o cancro\u201d. \u201c\u00c9 uma nova arma que estamos a aprender a usar, mas s\u00f3 funciona com alguns tipos de cancro.\u201d Al\u00e9m disso, precisa de ser coadjuvada com radioterapia ou quimioterapia.<\/p>\n<p>Paulo Cortes concorda que\u00a0<strong>n\u00e3o \u00e9 um tratamento universal<\/strong>, mas defende que a imunoterapia representa uma mudan\u00e7a de paradigma, porque \u00e9 uma abordagem transversal a v\u00e1rios tumores, em vez de ser uma abordagem confinada a cada tipo de tumor. \u201cT\u00eam-se falado muito de imunoterapia e com justi\u00e7a, porque tem feito uma enorme diferen\u00e7a para alguns tipos de tumores e tem tido boas respostas em tumores de fases avan\u00e7adas\u201d, diz o oncologista.<\/p>\n<p>Os melhores resultados para a imunoterapia t\u00eam sido encontrados nos tumores que t\u00eam mais muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas, como o melanoma ou alguns subtipos de cancro do pulm\u00e3o, nomeadamente cancro do pulm\u00e3o de c\u00e9lulas n\u00e3o-pequenas. Neste encontro, n\u00e3o houve novidades em rela\u00e7\u00e3o ao tratamento do melanoma, conta o especialista neste tipo de tumor, mas os estudos apresentados tornaram mais s\u00f3lidos os conhecimentos existentes. J\u00e1 no caso do cancro do pulm\u00e3o, al\u00e9m dos trabalhos que consolidam os conhecimentos pr\u00e9vios, houve tamb\u00e9m novidades:\u00a0<strong>os cancros do pulm\u00e3o de c\u00e9lulas escamosas e de pequenas c\u00e9lulas podem beneficiar de tratamentos de imunoterapia<\/strong>. Por enquanto, \u00e9 preciso esperar por mais estudos que confirmem estes resultados.<\/p>\n<p><iframe class=\"wp-embedded-content\" title=\"\u201cMedicamento contra cancro do pulm\u00e3o com comparticipa\u00e7\u00e3o aprovada\u201d \u2014 Observador\" src=\"https:\/\/observador.pt\/2018\/01\/15\/medicamento-contra-cancro-do-pulmao-com-comparticipacao-aprovada\/embed\/#?secret=f5hl0BuTPx\" width=\"600\" height=\"272\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" sandbox=\"allow-scripts\" data-secret=\"f5hl0BuTPx\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>Em oposi\u00e7\u00e3o, a imunoterapia n\u00e3o tem mostrado grandes resultados com o cancro da mama, lembra F\u00e1tima Cardoso. \u201cTalvez com o cancro da mama triplo negativo [quando o cancro da mama n\u00e3o \u00e9 hormono-dependente nem HER2-positivo] venha a ter um papel importante.\u201d Este subtipo de cancro da mama tem, pelo menos, sete subgrupos identificados e ainda n\u00e3o existe tratamento espec\u00edfico para nenhum deles.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao caso de\u00a0<strong>Judy Perkins<\/strong>, uma norte-americana que foi sujeita a uma nova t\u00e9cnica de imunoterapia para tratar um cancro da mama metast\u00e1tico, F\u00e1tima Cardoso n\u00e3o v\u00ea raz\u00e3o para ter sido publicado na Nature Medicine. \u201cA doente n\u00e3o est\u00e1 curada, est\u00e1 em remiss\u00e3o completa. A doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel, mas n\u00e3o desapareceu\u201d, lembra a m\u00e9dica. \u201cJ\u00e1 tive doentes, a fazer s\u00f3 hormonoterapia, em remiss\u00e3o completa durante quatro ou cinco anos, mas, eventualmente, a doen\u00e7a regressa.\u201d Deste caso, a investigadora retira aquilo que se pode aprender com as pessoas que tiveram resultados excecionais para ajudar a tratar os outros doentes.<\/p>\n<div class=\"block_quote azul\">\n<div class=\"wrapper\">\n<div class=\"quote\">\u201cA doente n\u00e3o est\u00e1 curada, est\u00e1 em remiss\u00e3o completa. A doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel, mas n\u00e3o\u00a0desapareceu.\u201d<\/div>\n<div class=\"author\">F\u00e1tima Cardoso, diretora da Unidade da Mama do Centro de Cancro Champalimaud<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>F\u00e1tima Cardoso lembra que todos os anos 1,7 milh\u00f5es de mulheres s\u00e3o diagnosticadas pela primeira vez com cancro da mama.\u00a0<strong>A t\u00e9cnica usada \u00e9 espec\u00edfica para cada pessoa, o que implica que demore muito tempo, custe muito dinheiro e que seja logisticamente dif\u00edcil de aplicar.<\/strong>\u00a0Para a investigadora, \u00e9 muito dif\u00edcil que se venha a tornar um tratamento corrente.<\/p>\n<p>Judy Perkins era um caso incur\u00e1vel, a quem os m\u00e9dicos tinham previsto tr\u00eas meses de vida. S\u00e3o estes casos, os incur\u00e1veis pelos meios de tratamentos dispon\u00edveis, que s\u00e3o convidados a participar nos ensaios cl\u00ednicos com tratamentos inovadores. S\u00f3 se os medicamentos se mostrarem eficazes e seguros, pode o ensaio ser alargado a outros doentes. \u201cN\u00e3o podemos alterar o tratamento de um cancro potencialmente cur\u00e1vel com um tratamento experimental\u201d, justifica a m\u00e9dica.<\/p>\n<p><iframe class=\"wp-embedded-content\" title=\"\u201cUsar duas imunoterapias para vencer um cancro da mama dif\u00edcil\u201d \u2014 Observador\" src=\"https:\/\/observador.pt\/2018\/06\/04\/usar-duas-imunoterapias-para-vencer-um-cancro-da-mama-dificil\/embed\/#?secret=LTOFO3v6gW\" width=\"600\" height=\"279\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" sandbox=\"allow-scripts\" data-secret=\"LTOFO3v6gW\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<div class=\"heading_container\">\n<div class=\"heading-wrapper\">\n<div>\n<h1>Conseguimos aumentar a esperan\u00e7a de vida em doentes com cancro do p\u00e2ncreas?<\/h1>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Nos encontros m\u00e9dicos, tanto podem ser anunciados tratamentos inovadores, como serem apresentados mais dados que confirmem estudos anteriores ou pequenas altera\u00e7\u00f5es que podem mudar as pr\u00e1ticas cl\u00ednicas. Um dos exemplos para este \u00faltimo caso foi referido por Paulo Cortes e diz respeito ao cancro do p\u00e2ncreas, \u201cum tumor muito dif\u00edcil de tratar\u201d.<\/p>\n<p>Quando o cancro do p\u00e2ncreas \u00e9 identificado numa fase inicial \u2014 quando ainda est\u00e1 localizado no \u00f3rg\u00e3o e n\u00e3o tem met\u00e1stases \u2014 \u00e9 removido cirurgicamente. Por vezes, a cirurgia consegue remover o tumor na totalidade, mas nem sempre isso acontece.\u00a0<strong>\u00c0s vezes, ficam algumas c\u00e9lulas para tr\u00e1s, que podem dar origem a um novo tumor.<\/strong>Um tratamento convencional de quimioterapia, com gemcitabine, depois da cirurgia aumenta o tempo de sobrevida dos doentes quando comparado com a cirurgia s\u00f3 por si. Mas agora h\u00e1 uma nova proposta.<\/p>\n<div class=\"block_quote azul\">\n<div class=\"wrapper\">\n<div class=\"quote\">\u201cTemos de escolher os doentes que t\u00eam melhores condi\u00e7\u00f5es para o fazer, porque \u00e9 muito\u00a0agressivo.\u201d<\/div>\n<div class=\"author\">Paulo Cortes, presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Um ensaio cl\u00ednico de fase III\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ascopost.com\/News\/58907\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mostrou<\/a>\u00a0que se estes doentes fossem submetidos a um tratamento de quimioterapia normalmente usado com doentes metast\u00e1ticos \u2014 Folfirinox \u2014 viviam em m\u00e9dia mais 21,6 meses (contra 12,8 meses com o tratamento convencional) e ficavam livres de cancro mais nove meses do que quem fez o tratamento convencional, com gemcitabine.\u00a0<strong>A desvantagem \u00e9 que esta quimioterapia \u00e9 mais agressiva e tem mais efeitos secund\u00e1rios que o tratamento convencional.<\/strong>\u00a0Logo, n\u00e3o poder\u00e1 ser usada com todos os doentes, esclarece Paulo Cortes.<\/p>\n<p>\u201cProvavelmente vamos passar a usar\u201d, disse o m\u00e9dico, sobre o tratamento que j\u00e1 \u00e9 feito em Portugal para doentes em estado avan\u00e7ado. \u201cMas temos de escolher os doentes que t\u00eam melhores condi\u00e7\u00f5es para o fazer, porque \u00e9 muito agressivo.\u201d<\/p>\n<p>Um dos problemas do cancro do p\u00e2ncreas \u00e9 que \u00e9 dif\u00edcil de detetar precocemente, mas novidades nesta \u00e1rea n\u00e3o houve, diz o oncologista. \u201cHouve um estudo h\u00e1 uns anos, que envolvia gen\u00f3mica, mas os resultados ainda s\u00e3o muito preliminares.\u201d<\/p>\n<div class=\"block_image medium esquerda\"><a href=\"https:\/\/s3cdn-observadorontime.netdna-ssl.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/26141425\/96211512_1280x720_acf_cropped.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" class=\"news-photo resrc\" src=\"https:\/\/imageproxy-observadorontime.netdna-ssl.com\/800x,q85\/https:\/\/s3cdn-observadorontime.netdna-ssl.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/26141425\/96211512_1280x720_acf_cropped.jpg\" width=\"1280\" height=\"720\" data-src=\"https:\/\/s3cdn-observadorontime.netdna-ssl.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/26141425\/96211512_1280x720_acf_cropped.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"caption\">\n<p class=\"legenda\">Steve Jobs, fundador da Apple, removeu o tumor pancre\u00e1tico em 2004. Em outubro de 2011, morreu devido \u00e0 doen\u00e7a \u2014 Getty Images<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"heading_container\">\n<div class=\"heading-wrapper\">\n<div>\n<h1>\u00c9 poss\u00edvel evitar a remo\u00e7\u00e3o do rim em caso de cancro?<\/h1>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es de tratamento, sobretudo aquelas que mostram os mesmos resultados sujeitando os doentes a menos interven\u00e7\u00f5es, s\u00e3o sempre op\u00e7\u00f5es a considerar. Gabriela Sousa e Paulo Cortes destacam um ensaio cl\u00ednico que mostrou que os doentes com cancro do rim metast\u00e1tico, podiam n\u00e3o ter vantagens em remover cirurgicamente o \u00f3rg\u00e3o afetado antes de fazerem o tratamento com os antiangiog\u00e9nicos.<\/p>\n<p>Quando o tumor \u00e9 precoce e localizado, \u00e9 sempre feita a remo\u00e7\u00e3o do rim doente. Mas a remo\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o quando j\u00e1 existem met\u00e1stases no corpo pode n\u00e3o trazer vantagens. A hip\u00f3tese dos investigadores que apresentaram o estudo era que\u00a0<strong>fosse suficiente fazer o tratamento com sunitinib<\/strong>, um medicamento que controla a produ\u00e7\u00e3o de novos vasos sangu\u00edneos, essencial \u00e0 sobreviv\u00eancia do cancro.<\/p>\n<p>No ensaio cl\u00ednico de fase III apresentado, os investigadores\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ascopost.com\/News\/58905\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">verificaram<\/a>que os doentes com cancro de rim metast\u00e1tico que fizeram s\u00f3 tratamento com sunitinib n\u00e3o tiveram menos tempo de vida ap\u00f3s o tratamento, quando comparados com os doentes que fizeram cirurgia antes do tratamento.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois tipos de vantagens, para os doentes, que n\u00e3o fizeram a cirurgia. Por um lado, podem\u00a0<strong>come\u00e7ar a medica\u00e7\u00e3o mais cedo<\/strong>\u00a0\u2014 quatro a seis semanas mais cedo, por exemplo \u2014, o que \u00e9 importante numa situa\u00e7\u00e3o em que o cancro pode evoluir t\u00e3o rapidamente que inviabiliza o in\u00edcio tardio do tratamento. Por outro lado, o doente que n\u00e3o faz a cirurgia\u00a0<strong>evita todas as complica\u00e7\u00f5es associadas a esta interven\u00e7\u00e3o<\/strong>, como infe\u00e7\u00f5es, hemorragias, embolismos pulmonares ou problemas card\u00edacos.<\/p>\n<div class=\"slideshow\">\n<div class=\"slideshow-main-photo-wrapper\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/s3cdn-observadorontime.netdna-ssl.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/15152929\/mortalidade-mulheres-2012_oms.jpg\" width=\"1167\" height=\"696\" data-caption=\"Estimativa da mortalidade devido ao cancro, nas mulheres, em 2012. De forma geral, a mortalidade nas mulheres \u00e9 inferior \u00e0 dos homens (ver gr\u00e1fico seguinte).\" data-full-link=\"\" data-link=\"\" data-credits=\"WHO\" \/><\/div>\n<div class=\"photo-meta\">\n<div class=\"left\">\n<p class=\"photo-caption\"><a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/oito-novos-tratamentos-contra-o-cancro-explicados-por-tres-oncologistas-o-segredo-e-reduzir-e-personalizar\/#\">Estimativa da mortalidade devido ao cancro, nas mulheres, em 2012. De forma geral, a mortalidade nas mulheres \u00e9 inferior \u00e0 dos homens (ver gr\u00e1fico seguinte).<\/a><\/p>\n<p class=\"photo-credits\">WHO<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"right\"><a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/oito-novos-tratamentos-contra-o-cancro-explicados-por-tres-oncologistas-o-segredo-e-reduzir-e-personalizar\/#\"><span class=\"photo-index\">2 fotos<\/span><\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"heading_container\">\n<div class=\"heading-wrapper\">\n<div>\n<h1>Podemos prevenir as met\u00e1stases \u00f3sseas, fraturas e recidivas com um \u00fanico medicamento?<\/h1>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>As mulheres em p\u00f3s-menopausa s\u00e3o um grupo de risco para a osteoporose e fraturas. Um risco que se agrava no caso de mulheres que tiveram cancro da mama hormono-dependente e est\u00e3o a fazer tratamento com uma classe de medicamentos chamada de inibidores de aromatase. O medicamento denosumab (dentro da classe das imunoterapias) \u00e9 usado para tratar met\u00e1stases \u00f3sseas e j\u00e1 se tinha\u00a0<a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lancet\/article\/PIIS0140-6736(15)60995-3\/abstract\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mostrado<\/a>\u00a0eficaz na preven\u00e7\u00e3o de fraturas. Com a vantagem de n\u00e3o ser revelar t\u00f3xico para as doentes. Agora, os investigadores\u00a0<a href=\"http:\/\/abstracts.asco.org\/214\/AbstView_214_222747.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mostraram<\/a>\u00a0que, nestas doentes, tamb\u00e9m\u00a0<strong>previne o aparecimento de recidivas<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o previne as recidivas em 100% dos casos mas diminui-as de uma forma significativa e sobretudo as met\u00e1stases \u00f3sseas.\u201d, afirma F\u00e1tima Cardoso. N\u00e3o foram identificadas \u201cmet\u00e1stases locais ou distantes, cancro da mama na segunda mama, carcinoma secund\u00e1rio ou morte por outras causas\u201d, referiu o autor do estudo Michael Gnant, investigador na Universidade M\u00e9dica de Viena (\u00c1ustria).<\/p>\n<p>Esta diminui\u00e7\u00e3o das recidivas \u00e9 um efeito inesperado e acaba por funcionar como um preven\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, um benef\u00edcio adicional. Mas as conclus\u00f5es definitivas sobre sobreviv\u00eancia s\u00f3 poder\u00e3o ser feitas ap\u00f3s o final da experi\u00eancia que ainda est\u00e1 a decorrer. Ainda assim, o m\u00e9dico David Cameron, m\u00e9dico na Universidade de Edimburgo (Reino Unido), n\u00e3o se\u00a0<a href=\"https:\/\/am.asco.org\/denosumab-improves-dfs-postmenopausal-women-breast-cancer\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">deixou<\/a>\u00a0convencer. O m\u00e9dico n\u00e3o achou que fossem claros os benef\u00edcios em rela\u00e7\u00e3o aos bifosfonatos que j\u00e1 s\u00e3o usados para prevenir os efeitos secund\u00e1rios dos tratamentos com os inibidores de aromatase.<\/p>\n<div class=\"block_quote azul\">\n<div class=\"wrapper\">\n<div class=\"quote\">\u201cN\u00e3o previne em 100% dos casos e \u00e9 mais nas met\u00e1stases \u00f3sseas, mas globalmente diminui as\u00a0recidivas.\u201d<\/div>\n<div class=\"author\">F\u00e1tima Cardoso, diretora da Unidade da Mama do Centro de Cancro Champalimaud<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Estes resultados t\u00eam implica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas diretas<\/strong>, afirma a m\u00e9dica. \u201cJ\u00e1 est\u00e1vamos a usar um medicamento da mesma fam\u00edlia, mas com uma inje\u00e7\u00e3o endovenosa [diretamente na circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea]. Este tem a vantagem de ser subcut\u00e2neo, ser mais potente e ter menos efeitos secund\u00e1rios.\u201d<\/p>\n<p>Como \u00e9 um medicamento destinado ao tratamento de met\u00e1stases \u00f3sseas, seja qual for a origem \u2014 o cancro da pr\u00f3stata e do pulm\u00e3o originam muitas met\u00e1stases deste tipo, por exemplo \u2014, abre-se aqui uma porta \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o sobre os efeitos de prote\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria que pode ser nestes casos.<\/p>\n<div class=\"heading_container\">\n<div class=\"heading-wrapper\">\n<div>\n<h1>E se o tratamento do cancro da mama puder ser mais curto?<\/h1>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O cancro da mama do subtipo\u00a0<a href=\"http:\/\/www.roche.pt\/sites-tematicos\/her2\/index.cfm\/her2_e_o_cancro\/o-que-e-o-her2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">HER2<\/a>-positivo \u00e9 dos cancros de mama mais agressivos, mas tamb\u00e9m \u00e9 daqueles cujo tratamento tem mais sucesso. Est\u00e1 bem identificado que o gene HER2, quando mutado, leva a uma produ\u00e7\u00e3o anormal da prote\u00edna HER2 na superf\u00edcie das c\u00e9lulas. Conhecendo qual o alvo potencial de um tratamento, mais f\u00e1cil \u00e9 encontrar o f\u00e1rmaco que o combata. E assim foi.<\/p>\n<p><strong>\u201cO HER2-positivo costumava ser dos cancros da mama mais agressivos, mas desde que existem tratamentos dirigidos passou a ser dos que melhor sabemos tratar\u201d<\/strong>, conta F\u00e1tima Cardoso.<\/p>\n<p>O tratamento est\u00e1 bem identificado, mas \u00e9 caro. Em Portugal, s\u00e3o\u00a0<strong>30 mil euros por ano<\/strong>\u00a0(o per\u00edodo de tratamento recomendado), suportados pelo Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade ou pelas seguradoras, refere F\u00e1tima Cardoso. \u201cUm dos 10 medicamentos em que o Estado portugu\u00eas gasta mais dinheiro\u201d, acrescenta Gabriela Sousa. O que justifica o interesse do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade do Reino Unido em financiar um estudo que pretendia avaliar se o tratamento feito por um per\u00edodo de tempo mais curto era igualmente eficaz.<\/p>\n<div class=\"block_quote azul\">\n<div class=\"wrapper\">\n<div class=\"quote\">\u201cUm dos 10 medicamentos em que o Estado portugu\u00eas gasta mais\u00a0dinheiro.\u201d<\/div>\n<div class=\"author\">Gabriela Sousa, m\u00e9dica do Servi\u00e7o de Oncologia M\u00e9dica do Instituto Portugu\u00eas de Oncologia de Coimbra<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/am.asco.org\/persephone-demonstrates-noninferiority-shorter-duration-adjuvant-trastuzumab-her2-positive-breast\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ensaio cl\u00ednico<\/a>\u00a0de fase III envolveu mais de quatro mil mulheres com cancro da mama HER2-positivo em fase inicial e o\u00a0<strong>objetivo era avaliar se seis meses de tratamento com trastuzumab tinham resultados equivalentes ao tratamento feito durante um ano<\/strong>. E a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.asco.org\/about-asco\/press-center\/news-releases\/shorter-trastuzumab-treatment-her2-breast-cancer-can-be\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">conclus\u00e3o<\/a>\u00a0dos investigadores \u00e9 que sim. Com a vantagem de que os efeitos secund\u00e1rios, nomeadamente a n\u00edvel card\u00edaco, foram menos frequentes e mais r\u00e1pidos de resolver nas doentes que fizeram apenas seis meses de tratamento.<\/p>\n<div class=\"infobox direita\">\n<h4 class=\"title\">O que s\u00e3o medicamentos biossimilares?<\/h4>\n<p>\u00c0 semelhan\u00e7a do que acontece com os medicamentos gen\u00e9ricos, os\u00a0<strong>biossimilares<\/strong>\u00a0podem aparecer no mercado depois de a patente da mol\u00e9cula original ter expirado.<\/p>\n<p>Num e noutro caso, os medicamentos (gen\u00e9ricos ou biossimilares) s\u00e3o\u00a0<strong>mais f\u00e1ceis de produzir<\/strong>\u00a0do que os originais. No entanto, no caso dos biossimilares, a produ\u00e7\u00e3o continua a ter alguma complexidade porque se tratam de medicamentos biol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Os biossimilares e os seus originais s\u00e3o\u00a0<strong>anticorpos monoclonais<\/strong>produzidos com recurso a linhas celulares. Para poderem ser aprovados pelas ag\u00eancias do medicamento norte-americana (FDA) e europeia (EMA), os biossimilares s\u00e3o sujeitos a crit\u00e9rios mais exigentes e a controlos de qualidade maiores do que os medicamentos gen\u00e9ricos.<\/p>\n<\/div>\n<p>Al\u00e9m dos benef\u00edcios para o doente, os benef\u00edcios para os servi\u00e7os de sa\u00fade s\u00e3o claros: com o mesmo dinheiro conseguem tratar dois doentes. Isto \u00e9 particularmente importante para os pa\u00edses de rendimento m\u00e9dio, nota a m\u00e9dica, que desta forma poder\u00e3o cumprir a recomenda\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade que incluiu o trastuzumab na lista dos medicamentos essenciais que todos os pa\u00edses devem ter para servir, pelo menos, 80% dos doentes que precisam. F\u00e1tima Cardoso alerta, no entanto, que para os pa\u00edses de rendimento mais baixo esta medida ainda n\u00e3o ser\u00e1 suficiente. Nestes casos,\u00a0<strong>os biossimilares poder\u00e3o ser a solu\u00e7\u00e3o porque s\u00e3o cerca de 20 a 30% mais baratos que o medicamento original<\/strong>. Ainda assim, a m\u00e9dica considera que deviam ser ainda mais baratos. \u201cEra preciso, no m\u00ednimo, 50% de redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o. A competi\u00e7\u00e3o vai acabar por conseguir isso.\u201d<\/p>\n<p>Se isto vai alterar a pr\u00e1tica feita em Portugal e na Europa? \u201cPara os doentes com um bom progn\u00f3stico, talvez\u201d, diz a m\u00e9dica, mas sobre os restantes doentes tem mais d\u00favidas. \u201cEste \u00e9 o primeiro estudo neste sentido\u201d, diz Paulo Cortes, que n\u00e3o v\u00ea, para j\u00e1, a possibilidade de redu\u00e7\u00e3o do tratamento. \u201cMas \u00e9 bom olharmos e pensarmos nesta hip\u00f3tese\u201d, continua lembrando que n\u00e3o vai ser para todos os doentes.<\/p>\n<p>\u201cQuem escreve as recomenda\u00e7\u00f5es europeias para o cancro da mama sou eu. Ainda vou precisar de falar com muitos colegas e\u00a0<strong>ainda vai demorar algum tempo at\u00e9 se poder alterar as recomenda\u00e7\u00f5es europeias<\/strong>\u201d, diz F\u00e1tima Cardoso. A oncologista acredita que ainda vai haver muita discuss\u00e3o \u00e0 volta destes resultados at\u00e9 que todos os m\u00e9dicos se sintam confort\u00e1veis em fazer o tratamento por menos tempo. \u201cHaver\u00e1 pessoas que t\u00eam receio de fazer um tratamento mais curto.\u201d<\/p>\n<div id=\"web_article_end_1\" class=\"obs-ad  obs-ad-trigger-scroll\">Fonte: Observador (Portugal)<br \/>\nLink:\u00a0https:\/\/observador.pt\/especiais\/oito-novos-tratamentos-contra-o-cancro-explicados-por-tres-oncologistas-o-segredo-e-reduzir-e-personalizar\/<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante os encontros m\u00e9dicos h\u00e1 sempre not\u00edcias sobre avan\u00e7os promissores. O que podemos ver aplicado num futuro pr\u00f3ximo no tratamento do c\u00e2ncer? Perguntamos aos oncologistas que estiveram presentes Idioma: Portugu\u00eas de Portugal \u201cN\u00e3o conseguimos vencer a guerra contra o cancro, mas estamos a conseguir vencer algumas batalhas\u201d, diz o oncologista Paulo Cortes. E essas batalhas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":285,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/servicenterblog.institucional.ws\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/284"}],"collection":[{"href":"http:\/\/servicenterblog.institucional.ws\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/servicenterblog.institucional.ws\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/servicenterblog.institucional.ws\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/servicenterblog.institucional.ws\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=284"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/servicenterblog.institucional.ws\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/284\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":286,"href":"http:\/\/servicenterblog.institucional.ws\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/284\/revisions\/286"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/servicenterblog.institucional.ws\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/285"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/servicenterblog.institucional.ws\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=284"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/servicenterblog.institucional.ws\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=284"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/servicenterblog.institucional.ws\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=284"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}