{"id":1665,"date":"2024-07-31T15:03:50","date_gmt":"2024-07-31T18:03:50","guid":{"rendered":"http:\/\/servicenterblog.institucional.ws\/?p=1665"},"modified":"2024-07-31T15:03:50","modified_gmt":"2024-07-31T18:03:50","slug":"cientistas-encontram-molecula-que-pode-ajudar-a-entender-a-origem-do-cancer","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/servicenterblog.institucional.ws\/?p=1665","title":{"rendered":"Cientistas encontram mol\u00e9cula que pode ajudar a entender a origem do c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<p>Um estudo publicado em maio no Journal of Medicinal Chemistry descreve o desenvolvimento de uma mol\u00e9cula in\u00e9dita capaz de inibir a prote\u00edna VRK1, envolvida na manuten\u00e7\u00e3o da integridade do DNA e na prolifera\u00e7\u00e3o celular de certos c\u00e2nceres, entre eles mama, pr\u00f3stata, ov\u00e1rio, intestinos e gliomas (no c\u00e9rebro).<\/p>\n<p>Essa nova mol\u00e9cula serve como uma ferramenta para investigar efeitos celulares e sist\u00eamicos da inibi\u00e7\u00e3o da VRK1 tanto em c\u00e9lulas saud\u00e1veis quanto\u00a0tumorais. Al\u00e9m disso, o estudo consolida a VRK1 como um potencial alvo terap\u00eautico para diversos tipos de c\u00e2ncer e abre o horizonte para o desenvolvimento de novos\u00a0tratamentos.<\/p>\n<p>O trabalho foi liderado por pesquisadores do Centro de Qu\u00edmica Medicinal (CQMED) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Ach\u00e9 Laborat\u00f3rios Farmac\u00eauticos e envolveu colaboradores do Brasil, Reino Unido, da Su\u00e9cia, Alemanha e dos Estados Unidos. Trata-se do resultado de cinco anos de pesquisas focadas nessa prote\u00edna-alvo, que tem\u00a0protagonismo na prolifera\u00e7\u00e3o de certos tipos de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>C\u00e9lulas tumorais t\u00eam muta\u00e7\u00f5es que fazem com que elas se multipliquem rapidamente e acabem acumulando erros no genoma. A VRK1 \u00e9 uma prote\u00edna quinase (tipo de enzima que modifica outras prote\u00ednas adicionando mol\u00e9culas de fosfato, em um processo conhecido como fosforila\u00e7\u00e3o). Ela participa da resposta celular que detecta e repara esses danos ao DNA, viabilizando, portanto, a prolifera\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas mutadas. A aus\u00eancia da VRK1 faz com que c\u00e9lulas acumulem erros em seus genomas, levando \u00e0 morte celular. Em c\u00e9lulas tumorais, essa quinase \u00e9 produzida em quantidades maiores.<\/p>\n<p>\u201cNeste trabalho, mostramos que diante da inibi\u00e7\u00e3o da VRK1 em c\u00e9lulas n\u00e3o ocorre a repara\u00e7\u00e3o dos erros e elas acabam morrendo, pois o ac\u00famulo de danos \u00e9 muito grande\u201d, explica Rafael Cou\u00f1ago, pesquisador do CQMED e autor do artigo.<\/p>\n<p>A mol\u00e9cula inibidora, derivada de diidropteridinona, foi inicialmente identificada pela equipe do CQMED e, posteriormente, desenvolvida pelos cientistas do Ach\u00e9. Os pesquisadores conduziram ensaios desenvolvidos especificamente para demonstrar a a\u00e7\u00e3o da mol\u00e9cula na prote\u00edna dentro do ambiente celular.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 a primeira vez que descrevemos uma mol\u00e9cula que inibe VRK1 de maneira potente, seletiva e altamente caracterizada no contexto celular\u201d, complementa Hatylas Azevedo, diretor de P&amp;D do Ach\u00e9 Laborat\u00f3rios Farmac\u00eauticos e autor do estudo.<\/p>\n<h2>Ci\u00eancia aberta<\/h2>\n<p>Ao longo dos cinco anos, o projeto seguiu as premissas da ci\u00eancia aberta preconizadas pelo Structural Genomics Consortium (SGC), um cons\u00f3rcio internacional de centros de pesquisa que \u00e9 parceiro da FAPESP no apoio ao CQMED e estuda prote\u00ednas humanas pouco exploradas (leia mais em: agencia.fapesp.br\/20790).<\/p>\n<p>O grupo recebeu financiamento por meio do programa Parceria para Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica (PITE) e do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia (INCT) Centro de Qu\u00edmica Medicinal de Acesso Aberto. Atualmente, a parceria integra o portf\u00f3lio de projetos da Unidade CQMED Embrapii.<\/p>\n<p>\u201cO trabalho foi altamente colaborativo, com parcerias internacionais, universidades e a ind\u00fastria farmac\u00eautica brasileira\u201d, pontua Cou\u00f1ago. At\u00e9 agora, teve um car\u00e1ter de pesquisa b\u00e1sica, mas os resultados podem ser utilizados na ci\u00eancia aplicada. \u201cEsse trabalho pode servir como base para que empresas, universidades e cientistas do mundo inteiro investiguem o papel da VRK1 no contexto tumoral, bem como utilizem essa mol\u00e9cula como ponto de partida para modifica\u00e7\u00f5es que a tornem um f\u00e1rmaco\u201d, comenta Azevedo.<\/p>\n<p>Embora os resultados sejam promissores, ainda s\u00e3o necess\u00e1rios v\u00e1rios testes antes de afirmar que se trata de um novo f\u00e1rmaco para o tratamento de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>No genoma humano existem cerca de 530 quinases descritas, das quais a ci\u00eancia conhece bem apenas 80. Para o conhecimento funcional dessas enzimas \u00e9 importante o desenvolvimento de inibidores que atuem seletivamente para cada uma delas. Esses inibidores podem servir como sondas para avan\u00e7ar no entendimento dessas enzimas, permitindo caracteriz\u00e1-las funcionalmente.<\/p>\n<p>O artigo Novel dihydropteridinone derivatives as potent inhibitors of the understudied human kinases Vaccinia-Related Kinase 1 and Casein Kinase 1\u03b4\/\u03b5 pode ser acessado em:\u00a0<a href=\"https:\/\/pubs.acs.org\/doi\/abs\/10.1021\/acs.jmedchem.3c02250\">https:\/\/pubs.acs.org\/doi\/abs\/10.1021\/acs.jmedchem.3c02250<\/a><\/p>\n<p><em>*Com informa\u00e7\u00f5es do CQMED.<br \/>\n<\/em>Fonte: CNN Brasil<\/p>\n<aside class=\"read__too\">\n<div class=\"read__title\"><\/div>\n<\/aside>\n<div id=\"mid2\" class=\"custom__ad__element\" data-google-query-id=\"CMy7k4Ls0YcDFVuHYQYdITYoYQ\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo publicado em maio no Journal of Medicinal Chemistry descreve o desenvolvimento de uma mol\u00e9cula in\u00e9dita capaz de inibir a prote\u00edna VRK1, envolvida na manuten\u00e7\u00e3o da integridade do DNA e na prolifera\u00e7\u00e3o celular de certos c\u00e2nceres, entre eles mama, pr\u00f3stata, ov\u00e1rio, intestinos e gliomas (no c\u00e9rebro). 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