{"id":1323,"date":"2022-08-26T17:32:02","date_gmt":"2022-08-26T20:32:02","guid":{"rendered":"http:\/\/servicenterblog.institucional.ws\/?p=1323"},"modified":"2022-08-26T17:32:02","modified_gmt":"2022-08-26T20:32:02","slug":"metodo-desenvolvido-por-medico-brasileiro-pode-restaurar-funcao-cerebral-de-afetados-por-doencas-neurologicas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/servicenterblog.institucional.ws\/?p=1323","title":{"rendered":"M\u00e9todo desenvolvido por m\u00e9dico brasileiro pode restaurar fun\u00e7\u00e3o cerebral de afetados por doen\u00e7as neurol\u00f3gicas"},"content":{"rendered":"<p>Uma nova tecnologia de tratamento, focada na indu\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas de choque t\u00e9rmico, tem o potencial de restaurar a fun\u00e7\u00e3o cerebral de pacientes afetados por\u00a0<strong>doen\u00e7as neurol\u00f3gicas<\/strong>\u00a0como esclerose m\u00faltipla, Alzheimer e Parkinson.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo foi desenvolvido pelo m\u00e9dico brasileiro Marc Abreu, especialista em termodin\u00e2mica cerebral e frequ\u00eancias termorregulat\u00f3rias formado pela Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp). \u201cAcreditamos que a nossa tecnologia, baseada na termodin\u00e2mica do c\u00e9rebro, tem um potencial \u00fanico de prevenir e tratar in\u00fameras doen\u00e7as a n\u00edvel molecular\u201d, afirma Abreu.<\/p>\n<p>O chamado\u00a0t\u00fanel t\u00e9rmico cerebral (BTT, na sigla em ingl\u00eas) foi desenvolvido pelo m\u00e9dico na Universidade de Yale, nos Estados Unidos. A descoberta levou \u00e0 inven\u00e7\u00e3o e patente do sistema Abreu BTT 700, aprovado pela Food and Drug Administration (FDA), \u00f3rg\u00e3o regulador norte-americano semelhante \u00e0 Anvisa.<\/p>\n<h4><strong>A import\u00e2ncia das prote\u00ednas de choque t\u00e9rmico<\/strong><\/h4>\n<p>A m\u00e9dica psiquiatra J\u00e9ssica Martani explica que diversas doen\u00e7as neurodegenerativas ocorrem devido ao dep\u00f3sito de prote\u00ednas danificadas no c\u00e9rebro. Esse ac\u00famulo pode levar a altera\u00e7\u00f5es na comunica\u00e7\u00e3o entre os neur\u00f4nios e ao comprometimento das fun\u00e7\u00f5es cerebrais.<\/p>\n<p>\u201cA\u00a0doen\u00e7a de Alzheimer, por exemplo, constitui-se de altera\u00e7\u00f5es em prote\u00ednas chamadas beta-amiloide e Tau. Na doen\u00e7a de Parkinson, observa-se os corpos proteicos de Lewy que se espalham de forma lenta e progressiva e causam danos e morte das c\u00e9lulas do tecido nervoso, acarretando o desaparecimento de neur\u00f4nios dopamin\u00e9rgicos e proporcionando altera\u00e7\u00f5es nos movimentos\u201d, explica.<\/p>\n<p>Por outro lado, as\u00a0<strong>prote\u00ednas de choque t\u00e9rmico<\/strong>\u00a0\u2013 encontradas em praticamente todos os organismos vivos, apresentam\u00a0diversas fun\u00e7\u00f5es complexas, incluindo a capacidade de\u00a0prote\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro\u00a0em momentos de estresse.<\/p>\n<p>\u201cQuando o corpo passa por alguma inj\u00faria,\u00a0estresse, mudan\u00e7a de temperatura, isquemia ou doen\u00e7as autoimunes, para se proteger, ocorre o aumento das prote\u00ednas de choque t\u00e9rmico. A eleva\u00e7\u00e3o dessas prote\u00ednas frente a um dano auxilia no reparo de prote\u00ednas t\u00f3xicas e ajuda a inibir a morte celular, chamada apoptose. Ou seja, s\u00e3o mecanismos que ajudam a proteger e \u2018limpar\u2019 o c\u00e9rebro de substancias potencialmente t\u00f3xicas\u201d, afirma a psiquiatra.<\/p>\n<h4><strong>Como funciona a tecnologia<\/strong><\/h4>\n<p>O envelhecimento e fatores gen\u00e9ticos podem levar \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da express\u00e3o das prote\u00ednas de choque t\u00e9rmico no organismo. Essa queda pode favorecer o desenvolvimento de\u00a0quadros neurodegenerativos, incluindo Alzheimer, Parkinson, ataxia,\u00a0esclerose m\u00faltipla, doen\u00e7a de Huntington, esclerose lateral amiotr\u00f3fica (ELA), epilepsia e outras doen\u00e7as neurol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas que hoje est\u00e3o saud\u00e1veis mas t\u00eam uma altera\u00e7\u00e3o a n\u00edvel molecular estariam como que predispostas a desenvolver essas doen\u00e7as, tanto neurol\u00f3gicas como o c\u00e2ncer. Acontece uma diminui\u00e7\u00e3o gradativa da express\u00e3o dessas prote\u00ednas com a idade, algumas pessoas, por fatores gen\u00e9ticos ou\u00a0exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o, perdem essa prote\u00e7\u00e3o \u2013 qualquer um de n\u00f3s que perd\u00eassemos estar\u00edamos em risco de desenvolver essas doen\u00e7as\u201d, afirma Abreu.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico explica que, diferentemente de tratamentos convencionais medicamentosos, que consistem combate \u00e0s doen\u00e7as a partir de fatores qu\u00edmicos, a inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o invasiva tem como base aspectos da f\u00edsica, como a modula\u00e7\u00e3o da termodin\u00e2mica cerebral e de frequ\u00eancias termorregulat\u00f3rias.<\/p>\n<p>\u201cO que n\u00f3s fazemos, o nome j\u00e1 indica: \u00e9 uma prote\u00edna de choque t\u00e9rmico, que \u00e9 ativada basicamente atrav\u00e9s de um choque t\u00e9rmico, existem outros fatores, mas este \u00e9 aquele que podemos controlar pois ele \u00e9 baseado na f\u00edsica\u201d, explica o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>O\u00a0tratamento\u00a0consiste no uso de um aparelho, em ambiente hospitalar, que induz o c\u00e9rebro dos pacientes a altas temperaturas de maneira extremamente controlada. \u201c\u00c9 um equipamento que recebe informa\u00e7\u00f5es do c\u00e9rebro e, com base nesse dado, faz uma \u2018entrega\u2019 \u2013 tudo de forma n\u00e3o invasiva, ao prover calor em uma certa velocidade e certa oscila\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Abreu.<\/p>\n<p>\u201cNosso c\u00e9rebro conhece padr\u00f5es, temperatura \u00e9 um n\u00famero e a termodin\u00e2mica s\u00e3o os padr\u00f5es e oscila\u00e7\u00f5es. Essa \u00e9 a linguagem do c\u00e9rebro, uma vez que voc\u00ea consegue entender essa linguagem, consegue ativar essas prote\u00ednas atrav\u00e9s de uma indu\u00e7\u00e3o que vai a alt\u00edssima temperatura, mas sem nenhum risco. A m\u00e1quina \u00e9 feita para essa alt\u00edssima temperatura e o paciente pode ficar exposto por horas at\u00e9\u201d, completa o especialista.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica, desenvolvida ao longo dos \u00faltimos 15 anos, tem sido aplicada em centenas de pacientes nos Estados Unidos, tanto no contexto de ensaios cl\u00ednicos como em tratamento hospitalar.<\/p>\n<p>Segundo o m\u00e9dico, a indu\u00e7\u00e3o das prote\u00ednas de choque t\u00e9rmico que estavam inativadas nos pacientes tem trazido benef\u00edcios como a recupera\u00e7\u00e3o de capacidades motoras e cognitivas que haviam sido impactadas pela evolu\u00e7\u00e3o dos quadros neurodegenerativos.<\/p>\n<p>\u201cOs pacientes em tratamento tiveram recupera\u00e7\u00e3o total das fun\u00e7\u00f5es perdidas. N\u00e3o \u00e9 o tratamento simplesmente para impedir a progress\u00e3o, \u00e9 uma terapia para reverter o processo, restaurar a fun\u00e7\u00e3o cerebral. Recentemente, um paciente brasileiro de 88 anos com Alzheimer e Parkinson, voltou a andar e a falar. \u00c9 poss\u00edvel restaurar as fun\u00e7\u00f5es do c\u00e9rebro que foram perdidas uma vez que haja essa indu\u00e7\u00e3o da prote\u00edna de choque t\u00e9rmico\u201d, afirma Abreu<\/p>\n<p>A arquiteta L\u00edlian Matos Deborba, 34, foi diagnosticada com esclerose m\u00faltipla em 2013. \u201cEu vinha combatendo essa doen\u00e7a h\u00e1 muitos anos. Depois que tive minha primeira filha, a situa\u00e7\u00e3o agravou bastante, comecei a ter v\u00e1rios relapsos de uma hora pra outra. Chegou ao ponto que eu n\u00e3o conseguia caminhar normalmente, perdi o movimento das minhas pernas\u201d, conta.<\/p>\n<p>L\u00edlian, que hoje mora nos\u00a0Estados Unidos, descobriu a t\u00e9cnica a partir de uma reportagem e decidiu buscar o atendimento especializado. \u201cFoi a melhor coisa que eu fiz, depois do tratamento consegui retomar o movimento das pernas, caminhar melhor, andar de bicicleta que era algo que eu tinha muita dificuldade antes\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ela conta que, desde a realiza\u00e7\u00e3o do procedimento, n\u00e3o houve novos ind\u00edcios de perda de movimentos. \u201cNunca mais tive relapsos e nem perdi os movimentos da perna, sempre caminho bem. J\u00e1 tive outra filha depois do tratamento, que j\u00e1 vai fazer um ano e continuo bem, com muita energia\u201d, celebra.<\/p>\n<h4><strong>Investimento<\/strong><\/h4>\n<p>Os direitos sobre as diferentes tecnologias baseadas no t\u00fanel t\u00e9rmico cerebral (BTT), desenvolvidas pelo m\u00e9dico Marc Abreu, pertencem \u00e0 empresa btt Corp.<\/p>\n<p>A empresa de tecnologia m\u00e9dica tem como foco no desenvolvimento de inova\u00e7\u00f5es para monitoramento, diagn\u00f3stico e tratamentos baseados na termodin\u00e2mica cerebral e frequ\u00eancias termorregulat\u00f3rias.<\/p>\n<p>A Oklahoma Rock Holdings, LLC (Oklahoma Rock) e o Trust Group investiram um total de US$ 34,3 milh\u00f5es (R$ 185 milh\u00f5es) na companhia. A rodada de investimento foi liderada pelo banqueiro norte-americano G. Jeffrey Records, Jr., o propriet\u00e1rio do MidFirst Bank, o maior banco privado dos Estados Unidos, com o aporte de US$ 29,3 milh\u00f5es (R$ 158,2 milh\u00f5es) por meio da Oklahoma Rock, e US$ 5 milh\u00f5es (R$ 27 milh\u00f5es) do investidor brasileiro Juliano Victorino, o propriet\u00e1rio do Trust Group, conglomerado brasileiro de com\u00e9rcio exterior.<\/p>\n<p>Com os novos investimentos, a empresa atingiu um valor de mercado superior a US$ 1,7 bilh\u00e3o (R$ 9,2 bilh\u00f5es).<\/p>\n<p>\u201cTemos uma capacidade \u00fanica de desenvolver tecnologias exclusivas baseadas na termodin\u00e2mica cerebral, temperatura do c\u00e9rebro e frequ\u00eancias termorregulat\u00f3rias. Como exemplo, nossa tecnologia de tratamento focada na indu\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas de choque t\u00e9rmico que tem o potencial in\u00e9dito de restaurar a fun\u00e7\u00e3o cerebral por meio do processo de redobramento de prote\u00ednas mal dobradas e degrada\u00e7\u00e3o de agregados t\u00f3xicos\u201d, afirma Robert Mogel, presidente e CEO da btt Corp.<\/p>\n<p>Fonte: CNN<br \/>\nhttps:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/saude\/metodo-desenvolvido-por-medico-brasileiro-pode-restaurar-funcao-cerebral-de-afetados-por-doencas-neurologicas\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma nova tecnologia de tratamento, focada na indu\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas de choque t\u00e9rmico, tem o potencial de restaurar a fun\u00e7\u00e3o cerebral de pacientes afetados por\u00a0doen\u00e7as neurol\u00f3gicas\u00a0como esclerose m\u00faltipla, Alzheimer e Parkinson. O m\u00e9todo foi desenvolvido pelo m\u00e9dico brasileiro Marc Abreu, especialista em termodin\u00e2mica cerebral e frequ\u00eancias termorregulat\u00f3rias formado pela Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp). 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