{"id":1304,"date":"2022-07-03T15:09:15","date_gmt":"2022-07-03T18:09:15","guid":{"rendered":"http:\/\/servicenterblog.institucional.ws\/?p=1304"},"modified":"2022-07-03T15:09:15","modified_gmt":"2022-07-03T18:09:15","slug":"proteina-reduz-niveis-de-acucar-e-pode-ser-aliada-no-combate-ao-diabetes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/servicenterblog.institucional.ws\/?p=1304","title":{"rendered":"Prote\u00edna reduz n\u00edveis de a\u00e7\u00facar e pode ser aliada no combate ao diabetes"},"content":{"rendered":"<p>Uma pequena prote\u00edna cuja origem s\u00e3o as c\u00e9lulas do corpo humano pode ter um grande papel no controle da diabete. Em pesquisa com participa\u00e7\u00e3o do IBC (Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas) da USP, cientistas descobriram que o pept\u00eddeo Ric4, sintetizado a partir de uma prote\u00edna produzida pelas c\u00e9lulas sangu\u00edneas, aumentou a sensibilidade \u00e0 insulina e reduziu a glicemia, ou seja, o n\u00edvel de a\u00e7\u00facar no sangue.<\/p>\n<p>Os estudos sobre a estrutura e as propriedades do Ric4, realizados em animais, geraram uma patente que, no futuro, poder\u00e1 dar origem a medicamentos para tratar a diabete, e que sirvam de alternativa \u00e0 terapia com insulina.<\/p>\n<p>Os resultados do trabalho foram mostrados em artigo publicado no site da revista cient\u00edfica Pharmaceuticals. A diabete tipo 2 acontece quando o corpo desenvolve resist\u00eancia \u00e0 insulina, respons\u00e1vel por processar o a\u00e7\u00facar no organismo e lev\u00e1-lo \u00e0s c\u00e9lulas, o que aumenta a concentra\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar na corrente sangu\u00ednea.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 alguns anos, nosso laborat\u00f3rio desenvolveu um teste em modelo animal que encontrou altera\u00e7\u00f5es em um grupo de pept\u00eddeos intracelulares (InPeps), que s\u00e3o pequenas prote\u00ednas produzidas no interior das c\u00e9lulas, normalmente a partir de prote\u00ednas maiores&#8221;, explica ao Jornal da USP o professor Emer Ferro, do ICB, coordenador do estudo.<\/p>\n<p>&#8220;Os animais testados apresentaram maior sensibilidade \u00e0 insulina e, consequentemente, maior capta\u00e7\u00e3o de glicose e glicemia reduzida. Nossa hip\u00f3tese era de que isso aconteceu devido \u00e0s altera\u00e7\u00f5es nos n\u00edveis de InPeps.&#8221;<\/p>\n<p>Em seguida, os pesquisadores sintetizaram quimicamente em laborat\u00f3rio quatro pept\u00eddeos, que foram denominados Ric1, Ric2 e Ric3 e Ric4. &#8220;O Ric 1 e o Ric2 foram identificados no m\u00fasculo gastrocn\u00eamio (batata da perna) e s\u00e3o derivados da prote\u00edna troponina I; o Ric3 foi encontrado no tecido adiposo epididimal (na regi\u00e3o do p\u00fabis), produzido a partir da prote\u00edna de liga\u00e7\u00e3o acil-CoA, e o Ric4 \u00e9 derivado da subunidade alfa da hemoglobina, prote\u00edna existente no sangue&#8221;, descreve o professor.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso objetivo foi identificar se algum desses pept\u00eddeos poderia reproduzir farmacologicamente a maior sensibilidade \u00e0 insulina e \u00e0 glicemia reduzida observada nos animais.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Capta\u00e7\u00e3o de Glicose <\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Caso isso acontecesse, poder\u00edamos identificar um novo pept\u00eddeo que poderia ser usado no tratamento de pacientes diagnosticados com pr\u00e9-diabete ou diabete tipo 2, que possuem elevados n\u00edveis de glicose e n\u00e3o respondem \u00e0 insulina&#8221;, relata Ferro.<\/p>\n<p>&#8220;Foram realizados testes de viabilidade celular em cultura de c\u00e9lulas, de avalia\u00e7\u00e3o do efeito dos pept\u00eddeos nos n\u00edveis de express\u00e3o de prote\u00ednas espec\u00edficas (Western Blotting), de estabilidade enzim\u00e1tica, de express\u00e3o g\u00eanica (PCR), de capta\u00e7\u00e3o de glicose em tecidos animais e culturas de c\u00e9lulas de camundongos, e de toler\u00e2ncia e transporte de glicose, em c\u00e9lulas e modelos animais.&#8221;<\/p>\n<p>A pesquisa verificou que dois derivados do pept\u00eddeo Ric4 (Ric4-2 e Ric4-15) possuem a\u00e7\u00e3o hipoglicemiante, isto \u00e9, induzem a capta\u00e7\u00e3o de glicose e reduzem a glicemia em animais ap\u00f3s administra\u00e7\u00e3o oral. &#8220;As an\u00e1lises sugerem que o pept\u00eddeo se liga ao receptor de insulina para induzir a capta\u00e7\u00e3o de glicose, de forma independente da insulina, esta \u00faltima tamb\u00e9m um pept\u00eddeo, aumentando sua sensibilidade&#8221;, aponta o professor do ICB.<\/p>\n<p>&#8220;Modifica\u00e7\u00f5es estruturais do Ric4 natural, que geraram o Ric4-2 e o Ric4-15, reduziram sua degrada\u00e7\u00e3o por enzimas digestivas, sem prejudicar a a\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica. Em resumo, pept\u00eddeos como o Ric4 podem exercer a\u00e7\u00e3o similar \u00e0 insulina e podem ser \u00fateis no tratamento de pacientes com diabete tipo 2.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com Ferro, apesar da signific\u00e2ncia biol\u00f3gica e farmacol\u00f3gica, as poss\u00edveis aplica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas do Ric4 ainda merecem mais investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;O estudo indica que pacientes com pr\u00e9-diabete ou diabete tipo 2, que t\u00eam hiperglicemia resistente \u00e0 insulina, poderiam ser tratados com Ric4 ou com seus an\u00e1logos, Ric4-2 e Ric4-15. Por\u00e9m, ensaios adicionais precisam ser realizados para avaliar a pot\u00eancia do pept\u00eddeo em reduzir a glicemia de portadores de diabete tipo 2&#8221;, destaca Ferro.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso trabalho refor\u00e7a a perspectiva que os pept\u00eddeos podem manter sua atividade farmacol\u00f3gica ap\u00f3s administra\u00e7\u00e3o oral, &#8216;quebrando&#8217; o dogma que dentro do corpo eles s\u00e3o imediatamente degradados por enzimas digestivas.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m da publica\u00e7\u00e3o do artigo, um pedido de patente do pept\u00eddeo Ric4 foi depositado junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) pela Ag\u00eancia USP de Inova\u00e7\u00e3o (Auspin) e pela INOVA, Ag\u00eancia de Inova\u00e7\u00e3o da Unicamp. &#8220;Embora o pedido tenha sido depositado em maio de 2018, nenhuma empresa at\u00e9 o momento se interessou em licenciar a patente do Ric4 para desenvolvimento de um f\u00e1rmaco alternativo \u00e0 insulina para o tratamento da diabete tipo 2&#8221;, conclui o professor.<\/p>\n<p>O trabalho teve a participa\u00e7\u00e3o dos pesquisadores Ren\u00e9e Silva, Ricardo Llanos, Rosangela Eichler e do professor Emer Ferro, do Departamento de Farmacologia do ICB, do pesquisador Thiago Oliveira e do professor William Festuccia, do Departamento de Fisiologia do ICB, e do professor Fabio Gozzo, do Instituto de Qu\u00edmica da Unicamp.<\/p>\n<p>Fonte: UOL<br \/>\nhttps:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2022\/01\/22\/proteina-reduz-niveis-de-acucar-e-pode-ser-aliada-no-combate-ao-diabetes.htm<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pequena prote\u00edna cuja origem s\u00e3o as c\u00e9lulas do corpo humano pode ter um grande papel no controle da diabete. 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